top of page
Logo-Sociedade-Transparente.png
Logo-Sociedade-Transparente.png
Logo-Sociedade-Transparente.png

Newsletter #5

  • 30 de jan.
  • 10 min de leitura

VOL 5 • JAN 2026




DEPOIMENTO DE JOVENS PESQUISADORES


Menos quebra de paradigmas ou mais sobrecarga? Uma reflexão sobre o tempo na ciência

Por: Jordana Oliveira

A gente escolhe fazer ciência porque quer descobrir algo grandioso. Quer mover a fronteira do conhecimento, mudar o mundo, contribuir com uma ideia que sobreviva ao tempo. Esses são alguns dos ideais (bem romantizados) que nos levam a fazer ciência, mas que servem como uma baita motivação para nossa iniciação e interesse na academia. Na prática, porém, sabemos que grandes descobertas requerem uma dedicação longa. Além do que, não apenas de grandes descobertas vive um grande cientista: há diversos outros prazeres nessa prática. Mas, adicionando outra camada de realidade da vida acadêmica, o cotidiano é bem mais complexo: prazos curtos, financiamento limitado, pressão por entregar resultados rápidos. Projetos menores, previsíveis e facilmente publicáveis acabam parecendo o caminho natural para manter produtividade, garantir fomentos e “manter os números”.


Conectando esses infinitos dilemas na ciência, em 2023, um estudo publicado na Nature¹ chamou atenção ao mostrar que artigos e patentes estariam se tornando menos disruptivos, menos capazes de mudar rumos, desafiar ideias estabelecidas ou inaugurar novos campos. Para muita gente, a conclusão pareceu fazer sentido. Afinal, estamos “esgotando” as grandes invenções? A ciência está ficando morna? Será mesmo? Desde a publicação desse estudo, surgiram críticas importantes, principalmente sobre como medir disrupção, algo tão subjetivo. Hoje fazemos ciência em redes complexas, com grupos interdisciplinares, gigantescos bancos de dados e equipes internacionais. A inovação continua acontecendo, mas distribuída, em colaboração e muitas vezes em pequenas peças que só fazem sentido juntas. Em vez de saltos isolados, temos avanços progressivos e entrelaçados. Pense no CRISPR-Cas ou nas vacinas de mRNA: rupturas reais, mas que só emergiram depois de décadas de pesquisa acumulada, lenta e coletiva.


A sobrecarga do conhecimento: a distância até a fronteira


Um ponto que quase não entra nessas discussões é a sobrecarga do conhecimento, do inglês “burden of knowledge.Nunca se precisou saber tanto para propor algo realmente novo. Cada geração de cientistas começa mais distante da fronteira do conhecimento porque essa fronteira cresce, se ramifica e se aprofunda. Para propor uma pergunta inovadora, precisamos antes atravessar montanhas de teoria, métodos, artigos, revisões e dados. E isso num cenário saturado por periódicos de qualidade (muitas vezes duvidosa), pelo excesso de informação e pelo aumento impressionante do volume de publicações anuais. Filtrar tudo isso e digerir essa informação, até conectar com a nossa pesquisa, não é um trabalho rápido (Figura 1).


Figura 1. Por onde começar? O que priorizar? É notável o crescimento do número de publicações nas últimas décadas. O trabalho de filtrar e priorizar trabalhos de interesse e estabelecer uma rotina de estudo dinâmica é essencial. As buscas dos exemplos foram feitas na plataforma PubMed. Os temas-chave e a quantidade de trabalhos acumulados estão destacados em vermelho. Os histogramas mostram o número de publicações ao longo dos anos para cada busca.
Figura 1. Por onde começar? O que priorizar? É notável o crescimento do número de publicações nas últimas décadas. O trabalho de filtrar e priorizar trabalhos de interesse e estabelecer uma rotina de estudo dinâmica é essencial. As buscas dos exemplos foram feitas na plataforma PubMed. Os temas-chave e a quantidade de trabalhos acumulados estão destacados em vermelho. Os histogramas mostram o número de publicações ao longo dos anos para cada busca.

Fonte: A autora.

Não é rápido mesmo, pois, inclusive, a idade média de quando pesquisadores produzem seus trabalhos mais impactantes está aumentando². A maturação das ideias leva mais tempo, e isso faz todo sentido num mundo em que o conhecimento cresce mais rápido do que conseguimos absorver.


"Não que estejamos produzindo menos inovação, mas que estamos sendo empurrados a trabalhar rápido demais para perceber a profundidade do que construímos"

 O tempo que não cabe nos projetos


Esse cenário se encontra com outro problema estrutural: não somos pagos pelo tempo de pensar. Projetos não preveem meses (ou anos) para reflexão profunda, leituras lentas, maturação de ideias, tentativas e erros que não geram publicações imediatas. A ciência moderna recompensa velocidade, não profundidade. Mas grandes ideias são, por definição, lentas. Como argumenta um editorial recente da Nature³, a academia deve proteger o tempo de reflexão em um mundo hiperconectado e disperso. Mas, não querendo abrir outra camada em nossa conversa, deveríamos incorporar o tempo de reflexão como parte explícita do trabalho científico. Sem isso, caímos na ilusão de que produzir mais é sinônimo de produzir melhor e confundimos barulho com avanço. Lembro de colocar esse tempo no cronograma de atividades dos pedidos de bolsa FAPESP, mas será que estamos efetivamente cumprindo essa tarefa? E com qual qualidade?


Estamos menos disruptivos ou apenas mais rápidos?


Discutir se a ciência está menos disruptiva talvez não seja a melhor pergunta. Talvez a questão seja outra: estamos avançando tão rápido que ficou difícil acelerar ainda mais. Li uma metáfora que explica isso muito bem: um carro que já está em alta velocidade precisa de muito mais energia para dobrar sua velocidade do que um carro que está quase parado. A ciência de hoje é esse carro em alta velocidade, com desafio energético para continuar quebrando barreiras. Comparados aos anos 1950-1970, acumulamos uma quantidade colossal de conhecimento e infraestrutura. Avanços realmente transformadores continuam acontecendo, mas exigem muito mais esforço, tempo e base sólida do que antes. E isso gera a sensação de estagnação, não porque não estamos avançando, mas porque o céu está mais alto.


"A ciência moderna recompensa velocidade, não profundidade. Mas grandes ideias são, por definição, lentas."

Tempo, paradigmas e Darwin


Se juntarmos os dois elementos, a raridade de rupturas aparentes e a falta de tempo para reflexões/leituras profundas, entendemos melhor o dilema contemporâneo. Darwin levou mais de 20 anos para publicar A Origem das Espécies. Hoje, quem poderia dedicar duas décadas a um único projeto? Quem teria financiamento, estabilidade ou tranquilidade emocional para isso? Não é surpreendente que grandes avanços científicos pareçam mais raros. Eles não cabem mais no cronograma.


Para concluir (apenas essa camada da complexidade acadêmica)


A ciência segue avançando, lentamente, progressivamente, coletivamente. Mas junto com esse avanço, cresce também o peso da bagagem intelectual que carregamos. E, no meio disso tudo, o tempo necessário para maturar ideias parece desaparecer. Talvez seja isso que sentimos não que estejamos produzindo menos inovação, mas que estamos sendo empurrados a trabalhar rápido demais para perceber a profundidade do que construímos. E para quem se sente sobrecarregado pelo volume de conhecimento, pelas leituras que nunca acabam, pelas ideias que ainda não amadureceram, vale lembrar o óbvio que esquecemos no ritmo atual: é devagar, mas com constância, que se chega longe.



Quem é Jordana?

Jordana Oliveira é licenciada em Ciências Biológicas (UEPG), mestre e doutora em Genética (UNESP). Realizou pós-doutorado na University of Ottawa, no Canadá e atualmente está como Marie Curie Fellow na Queen Mary University of London, no Reino Unido. Tem experiência em genômica, transcriptômica e bioinformática para investigar evolução de genomas a partir de conflitos genômicos, principalmente envolvendo elementos transponíveis, elementos virais endógenos gigantes e RNAi.




CONVERSA COM OS MESTRES


Ensinando Seleção Natural: a experiência dos tentilhões de Galápagos

Por: Cristina Y. Miyaki

Ensino de evolução: desafio e motivação


No espaço que me foi dado na quinta edição da nossa Newsletter, gostaria de compartilhar o que considero ter sido uma experiência feliz dentro do desafiador, porém empolgante tema do ensino das bases teóricas da evolução orgânica. Como todos nós sabemos—seja somente como discente ou como discente e docente—, desafiador porque envolve conceber o passar do tempo geológico—milhares, milhões e bilhões de anos—, uma tarefa cognitiva com a qual o nosso efêmero cérebro primata não lida lá muito bem; empolgante porque é este tema que dá liga à grande massa formada por todos os outros conceitos biológicos. Deste modo, visando auxiliar professores a discutir conceitos genéticos e evolutivos com seus alunos, eu e outras professoras do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva da Universidade de São Paulo (USP) desenvolvemos, há uns anos, algumas atividades lúdicas para facilitar a transmissão desses conceitos tão fundamentais. Devo destacar que a maioria dessas atividades faz uso de materiais baratos que podem ser obtidos facilmente, permitindo que uma ampla gama de educadores tenha acesso a essas atividades práticas. 


Inspiração científica: os tentilhões de Darwin e os estudos dos Grants


Comento a seguir sobre uma dessas atividades⁴, a qual pode ser desenvolvida tanto com alunos como com leigos. Esta atividade foi inspirada no livro O Bico do Tentilhão (no original, The Beak of the Finch), de Jonathan Weiner⁵, agraciado com o Prêmio Pulitzer de não-ficção geral de 1995. Neste importante livro (caso ainda não lido, deixo aqui a minha dica!), é descrito o trabalho de décadas realizado pelo casal de biólogos evolutivos que ganhou prestígio acadêmico ao conduzir diversos trabalhos baseados em dados de monitoração anual de um certo grupo de aves que habitam o arquipélago de Galápagos no Oceano Pacífico—a famosa chave usada por Charles Darwin para abrir a porta intelectual que o levou à Teoria da Seleção Natural. Este casal é formado pelos britânicos Peter e Rosemary Grant (esta última foi homenageada no nosso SBBE24 ao dar nome a uma de nossas salas), que fizeram carreira na prestigiada universidade estadunidense de Princeton. 


Inspirados pelas ricas descrições dos estudos do casal Grant encontradas no referido livro— estudos realizados com a espécie tentilhão-terrestre-médio (Geospiza fortis) encontrada na ilha Daphne Major—, nós bolamos a atividade sobre a qual eu aqui discorro. Mas antes uma rápida contextualização biológica: como a população dessa ave insular nessa ilha é relativamente pequena, é possível capturar e marcar todos os indivíduos com anéis coloridos de forma a identificá-los individualmente, o que por sua vez permite monitorar o sucesso reprodutivo e a sobrevivência de cada ave ao longo dos anos. Observou-se que em anos com escassez de alimentos (devido à seca), indivíduos com bicos maiores—que conseguiam se alimentar das sementes disponíveis que são mais duras—sobrevivem em maior frequência do que aves com bicos menores. Com isso, observou-se nas gerações seguintes um aumento significativo no tamanho médio dos bicos. Ou seja, os Grants conseguiram visualizar a seleção natural em ação—um feito que nem mesmo Darwin sonhou ser possível! Porém, os Grants foram além, pois também reportaram em estudos subsequentes que em determinados anos uma resposta evolutiva oposta se dava devido a flutuações climáticas que resultaram em chuvas excessivas na região. Neste cenário, os ventos evolutivos mudam e, assim, outras aves com outros bicos são selecionadas. Desta forma, os Grants conseguiram captar em tempo real as variações fenotípicas transcorridas através do tempo evolutivo (embora curtíssimo!) em resposta a uma forte pressão seletiva—sem dúvidas, um grande feito científico. Para quem se interessar por este tema e pretender ir mais a fundo, o casal de biólogos publicou recentemente uma nova edição do seu livro próprio acerca desses achados⁶, infelizmente, entretanto, ainda sem tradução no Brasil.


"Com criatividade e a ludicidade permitem que os alunos vivenciem algumas das forças evolutivas atuantes no planeta"


A atividade prática: seleção natural em forma de jogo


Bem, chega de embasamento teórico. Vamos ao jogo, digo, à prática! Cada aluno recebe um objeto (ex. pegador de alimentos, prendedor de roupa, pinça de ponta fina, pinça para retirar pêlos) e, durante um determinado tempo, os alunos competem entre si coletando sementes de diversos tamanhos e formas (ex. arroz, noz, feijão, lentilha, fava, grão-de-bico) (Figura 2). Isso é repetido algumas vezes e cada participante deve guardar seu alimento separado por rodada.


Figura 2. Materiais utilizados na atividade. Autoria: Profa. Eliana Dessen.
Figura 2. Materiais utilizados na atividade. Autoria: Profa. Eliana Dessen.

Cada rodada é acompanhada de gritaria e risadas, afinal, é uma baita competição e somente alguns participantes vão conseguir recolher alimento até o final (Figura 3). Ao final de todo o frisson competitivo—pressão seletiva pura e simples!—, discutimos junto aos participantes os conceitos evolutivos, observando que cada objeto é análogo a um bico de ave diferente. Com o passar das rodadas (tempo evolutivo), deve ficar claro para todos os participantes que alguns tipos de sementes são agora mais raros e somente algumas aves com bicos específicos conseguem continuar a se alimentar e, portanto, sobreviver para se reproduzir e deixar descendentes. Aqui é o momento em que os monitores da atividade devem frisar que o jogo aparentemente inocente que acabou de se passar imita o voraz jogo da vida—a tal sobrevivência do mais apto. Assim, do mesmo modo que só certos participantes conseguiram ter sucesso até o final do jogo, com o decorrer do tempo, somente algumas aves com certas características continuam a persistir na afamada ilha tropical. Muito me agrada esta atividade porque ela nos permite ilustrar de forma bastante simples e prática a competição por alimentos vivida pelas pequenas aves na ilha Dafne Maior (e por muitos outros animais habitando muitos outros locais no planeta). É importante destacar que, como dito acima, esta atividade pode também muito bem ser realizada com leigos. Desta forma, tivemos sucesso ao conduzi-la, tendo como participantes frequentadores do Parque Ibirapuera, na cidade de São Paulo. Após a atividade, discutimos junto aos transeuntes sobre como a destruição dos ambientes naturais (como resultado da ação humana direta ou de mudanças climáticas), que diminui a diversidade de alimentos, pode levar à extinção de espécies. Ademais, devo mencionar que os alunos do curso de Ciências Biológicas da USP utilizam esta atividade para despertar a curiosidade evolutiva de estudantes de escolas públicas que visitam nosso Instituto. Por fim, devo ainda acrescentar que—creio que por sua simplicidade e característica de jogo competitivo—sempre observamos uma forte adesão dos alunos a esta atividade, o que me faz tê-la como a minha predileta entre aquelas que criamos.



Figura 3. Atividade sendo aplicada. Autoria: Profa. Eliana Dessen.
Figura 3. Atividade sendo aplicada. Autoria: Profa. Eliana Dessen.

Divulgação do material didático e considerações finais


Gostaria de concluir esta contribuição à nossa Newsletter reforçando a divulgação do material didático que produzimos para discutir, de forma lúdica e interativa, temas de Genética e Evolução, do qual retirei o exemplo apresentado sobre a pressão seletiva. Esse material foi publicado entre 2006 e 2015 em artigos no periódico Genética na Escola, da Sociedade Brasileira de Genética, e está disponível a toda a comunidade evolutiva (e.g.      ). Embora muitos conceitos evolutivos sejam abstratos e de difícil compreensão, como procurei demonstrar aqui, a criatividade e a ludicidade permitem que os alunos vivenciem algumas das forças evolutivas atuantes no planeta, facilitando sua aprendizagem. Espero que considerem o material útil e até uma próxima oportunidade.


Quem é Cristina?


Cristina Y. Miyaki é Professora Associada do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. Suas linhas de pesquisa incluem biogeografia e genética aplicada à conservação de aves neotropicais. É membra fundadora da Sociedade Brasileira de Biologia Evolutiva, Sociedade Brasileira de Genética, Sociedade Brasileira de Ornitologia, Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, "American Ornithological Society" e "International Ornithologists' Union."

 



NOVIDADES & INFORMES


SBBE26


AUXÍLIO FINANCEIRO


A Sociedade Brasileira de Biologia Evolutiva (SBBE) abre chamada para concessão de auxílio financeiro de até R$600 destinado a até 20 estudantes de graduação ou pós-graduação, associados(as) à SBBE, para participação no II Congresso Brasileiro de Biologia Evolutiva (SBBE26), que ocorrerá em julho de 2026. A chamada incentiva especialmente a candidatura de pessoas de grupos historicamente sub-representados na ciência brasileira, incluindo pessoas negras, indígenas, quilombolas, pessoas LGBTQIAPN+, pessoas com deficiência e estudantes de instituições de regiões periféricas ou com menor acesso a recursos acadêmicos. 


As inscrições para a chamada ficam abertas a partir de amanhã até 28 de fevereiro.


Acesse o edital completo aqui:



SUBMISSÕES DE RESUMO


O prazo para submissões de resumos para o SBBE26 se encerram 30 de março de 2026. Se você quer fazer parte desse encontro, esse é o momento de garantir sua participação.



AINDA NÃO FEZ SUA INSCRIÇÃO NO SBBE26? CORRE QUE AS VAGAS SÃO LIMITADAS E ESTÃO SE ESGOTANDO!



REFERÊNCIAS

[1] Park M, Leahey E, Funk RJ. Nature 2023;613(7942):138-44.

[2] Bloom N, Jones CI, Van Reenen J, Webb M. Am Econ Rev 2020;110(4):1104-44.

[3] Nature editorial. Nature 2024;631:709.

[4] Mori L, Miyaki CY, Arias MC. Genética na Escola 2006;1(1):1-3.

[5] Weiner J. O Bico do Tentilhão. Rocco; 1995.

[6] Grant PR, Grant BR. 40 years of evolution: Darwin's finches on Daphne Major Island. Princeton University Press; 2014.

[7] Mori L, Arias MC, Miyaki CY, Dessen EMB.

Genética na Escola 2009;4(1):25-32.

[8] Mori L, Miyaki CY, Arias MC.

Genética na Escola 2009;4(2):41-6.

[9] Mori L, Arias MC, Miyaki CY. Genética na Escola 2013;8(2):124-31.



Boletim Informativo

Newsletter de divulgação da Sociedade Brasileira de Biologia Evolutiva

| Publicação Bimensal

Editores desta edição: Fernanda S. Caron, George Pacheco e Júnior Nadaline

Design, revisão e composição: Fernanda S. Caron, George Pacheco e Júnior Nadaline

Newsletter online: publicada exclusivamente em versão eletrônica em https://www.sbbevol.org/post/newsletter-5



 
 
 

Comentários


bottom of page